Mundo Plano

A Criação

Em meio à inexistência do universo surge em datas indeterminadas um pequeno, insignificante, ponto de luz. O antes é obsoleto e daquela luminescência o Único, o Deus Supremo, nasce e expande-se por eras que para ele foram instantes como o respirar.
Altivo, poderoso, invencível, perfeito, divino. O Único estava no seu ápice após sua auto criação, um fato dado apenas pela escolha de ser, assumir-se perante o nada e dele extrair o que seria sua maior tarefa depois de si: O Tudo.
Prysh’dôn é feita como uma terra magnífica com fauna e flora exuberantes. Uma terra que pelos seus olhos era redonda e colossal em meio à escuridão do universo, o Céu Negro, as Trevas Infinitas, a Noite Eterna. A sua forma representava a perfeição dos feitos do Deus Superior. Quando estava pronta aquela terra, o Único desce para averiguar de perto tudo que fez e percebeu que tudo ficara escuro sem sua presença iluminada na escuridão sem fim que abraçava e envolvia tudo. Logo ele cria Ut, um humano à sua imagem, tirado de um fio de sua barba, e o arremessa para o alto que devido à divina força e poder de quem lançara. ascende em chamas de potência infinita para aquecer e proteger Prysh’dôn.
Único vaga por milênios até decidir que partilharia com outros o que criara. Ele distribui fagulhas de sua essência divina tornando ente Ziani, que seria a Mãe dos Deuses, assim ela gera e da à luz seus filhos e filhas. Por tempos incontáveis, denominados a Era dos Deuses, o Grande Criador habita Prysh’dôn e entrega a seus descendentes a tarefa de cuidar de todos os aspectos que apareciam conforme o mundo progredia. Ziani cuida do Véu de Magia que cobre todos os lugares e o reforça para tornar tudo ainda mais maravilhoso; Bellator, o mais habilidoso, era o protetor de toda Prysh’dôn e assumiu a essência dos aspectos da guerra e todos os tipos de combate; Fluctes lança seu corpo aos mares e desde então os guarda e protege; Hordeum caminha pelas terras e envolve-se com a natureza em incansável e dedicada pastora divina; O maior e mais forte filho da Mãe Deusa, Hinocram, tem como seu principal fundamento a força em todos os seus sentidos; Mácatos, o Primeiro Filho, guarda a história divina em sua memória e quando assume o dogma do conhecimento é instruído pelo Deus Pai a registrar tudo dos primórdios até os últimos dias; Vendo o poder de seu divino irmão, Bellator sobre a guerra, Aros-pax assume a paz; Os deuses gêmeos, Celenus e Solanus, nascem com poder e bondade e para estar eternamente juntos tomam para si o heroísmo e a justiça. Os muitos outros filhos se espalham por toda quase infinita Prysh’dôn e guardam-na enriquecendo-a com a deificação por existirem. Por fim, a Deidade Materna e suas proles nomeiam o Criador Pai, Pátris, o Único.
Por muito tempo Prysh’dôn se manteve uma terra próspera onde a cada instante a criatividade divina povoava-a com novas raças. E com a mesma intenção ao criar Ut, Pátris cria os corpos celestes que iluminariam as noites. Assim nascem Luna, Luvia e Lunia, caçulas trigêmeas do ser que aquecia os dias. Com a presença dos
deuses na terra a alegria era inigualável.
O que nem Pátris esperava era o surgimento de uma força que se opunha a dele. A força do equilíbrio. Para todo bem há um mal e das sombras do Deus Único surge Inferiorum, a representação máxima de malevolência. Uma guerra colossal começa entre os povos onde os filhos do Deus Pai junto à suas crias combatem aqueles seduzidos pela simples existência da Sombra que trazia consigo sentimentos desconhecidos de inveja, ira, luxúria, ganância e transformavam as mentes fazendo escravos para uma guerra por poder sem limites. Do caos e destruição onde só restava a morte os deuses nomeiam tamanha discórdia e sofrimento de Inferno, o que seria para sempre o maior aspecto da poderosa divindade que nascera de Pátris.
A própria morte tão presente naquele momento não era mais uma forma abstrata e quando o primeiro deus morre pelas mãos do Senhor do Inferno, ela ascende à divindade e desde então resguarda as almas até terem para onde ir, posteriormente guiando-as para seus respectivos reinos divinos, até que não existiam ainda.
O Único, entristecido pela queda de sua criação, trava uma batalha com Inferiorum com conseqüências catastróficas. A ressonância de seus poderes ocasiona destruição e toda a sintonia de Prysh’dôn é alterada causando desastres naturais por todas as partes da terra: terremotos, erupções vulcânicas, tornados, toda natureza
parecia gritar em agonia pela violação do bem, pela ira de Pátris, pelo mal trazendo equilíbrio. A incansável luta fez com que a terra esfarelasse e estremecesse se desfazendo pelo Céu Negro.

Após milênios de combate Inferiorum percebe a supremacia do Único quando seus últimos ataques são desferidos sem sucesso. Mas ele, antes da derrota, causara um dano maior e desfere seu golpe final com toda sua força divina e malévola. Entretanto o alvo não era o Pai dos Deuses e sim o que ele criara e amava. Prysh’dôn foi quase que por completo destruída. Com todo seu poder e ainda perplexo por existir tamanha maldade, o Único, em sua fúria por Inferiorum, desfere um poderoso ataque matando-o junto com o que restou de sua criação. Em meio à explosão que destruiu outras existências e abalaram outras tantas. O mais forte dos filhos, Hinocram chega aos seus limites de esforço físico e ergue aos céus uma descomunal parcela de Prysh’dôn e salta para tão longe quanto consegue protegido pelos seus irmãos e pela Mãe dos Deuses, Ziani. Os seduzidos pelo mal que perseguiram foram derrotados pelos deuses guerreiros.
Pátris vagou pelo vazio e destroços quando encontrou vestígios ainda com sobreviventes salvos pelos seus filhos e sua amada. Temendo que tudo aconteça novamente, mas concedendo uma segunda chance aos povos remanescentes e impedindo a volta de um mal tão poderoso, divide sua essência divina em bilhões de luzes pela Noite Eterna, criando incontáveis irmãos para Ut e nomeando-as Estrelas. A nova terra é batizada por Mácatus de Arcânia, A Terra Plana, devido à forma que ficara e vista de cima pelos deuses era redonda como lembrança da perfeição do Único. As Luas como ficaram nomeadas a trindade, estavam intactas protegidas pelo irmão Sol,
pseudônimo de Ut que agora iluminavam o dia e a noite da nova criação divina. Uma terra restaurada servindo de lar para as raças e para os deuses.
Contudo o equilíbrio impõe sua necessidade e Inferiorum ressurge. Os deuses o aprisionam abaixo de Arcânia a mando de Pátris que previu que: sempre que fosse destruído, ele poderia voltar. Esquecido em seus domínios o Maligno cria seus filhos e faz daquele lugar um Inferno onde sempre estará existindo e arquitetando seus mais destrutivos planos por poder e vingança. “Para todo bem há um mal”. Uma lição jamais esquecida pelos deuses que sempre respeitariam o equilíbrio do universo.
Assim, com os deuses retirando-se da presença dos mortais, ficou marcado o fim da Era dos Deuses.

Registro de Poderos, o Primeiro Sábio, profético sacerdote
de Mácatus. Ano 1 da I Hexa, Era de Arcânia, Idade nova, Era Arcaica.